Artigo: Desafios da Advocacia Moderna: Especialização e Segmentação

A advocacia e a medicina são muito próximas, visto que os médicos tratam das doenças do corpo e os advogados das doenças sociais. Ambos profissionais possuem uma responsabilidade muito grande mediante aqueles que os procuram para sanar seu problema. A medicina, ciente dessa imensa incumbência, já, há muito, evoluiu para a segmentação, para a especialização de seus profissionais, que buscam verticalizar seus estudos em uma única área, para com isso conseguirem oferecer uma solução mais segura e eficiente àqueles que procuram seus serviços. A advocacia caminha a passos lentos em direção a esta evolução. Os advogados generalistas, “clínicos gerais” ainda são a imensa maioria da classe. Isto está diretamente relacionado à necessidade de subsistir em um mercado aparentemente superlotado, visto que há notícias de que chegaremos em 2018 a um milhão de advogados no país. Ocorre que essa tamanha premência em conseguir se manter no mercado a qualquer custo, atuando em todas as áreas, pode tanto causar prejuízo para o cliente, como para o profissional. Um advogado que peque com seu cliente pode causar-lhe diversos danos, alguns irreparáveis e, por conseguinte, ter que arcar com estes prejuízos. Essa visão restrita do mercado, resumindo a aspiração do profissional a conseguir pagar as contas no final do mês, causa um círculo vicioso de desvalorização. Um profissional pouco ou nada preparado tende a cobrar valores exíguos por seu trabalho, uma vez que no ato de sua contratação desconhece o procedimento que será necessário realizar, dessa forma não consegue mensurar o valor adequado a ser requerido do cliente por seu labor. É comum que este profissional desalentado não cobre consulta, tampouco para fazer uma inicial, ou ainda, ofereça seus préstimos por valores ínfimos e aviltantes, com a desculpa de precisar ser “competitivo”. Ele crê firmemente que se não agir desta forma, outro colega agirá e seu cliente tenderá a procurar este outrem. Levando assim seus pares, em mesmas condições a atuarem todos desta maneira destrutiva. Não vejo médicos não cobrarem consulta e desconfio daqueles que não cobram. Penso que nesse aspecto também a advocacia precisa espelhar-se na medicina. Um médico tem a noção do valor do seu trabalho, pois ele é diretamente proporcional à responsabilidade embarcada em cada um de seus atos. Um advogado que não se valoriza, não tem a visão real do tamanho de seu encargo para com o cliente. Esse medo de não conseguir manter-se, causa um bloqueio que impede o profissional de vislumbrar opções que ele pode seguir sem precisar se socorrer desses expedientes que só canibalizam a classe. Ao invés do colega percorrer um caminho que não traz nenhum benefício para quem pratica tais atos, bem como para a advocacia como um todo, é muito mais profícuo e interessante investir em sua carreira, vendo-a como um projeto de sucesso em longo prazo. Enganam-se os que pensam que só quem possui condições financeiras estáveis consegue enveredar por este caminho mais pontual e assertivo. Trata-se muito mais de uma questão de foco e determinação, tempo de estudo, do que de condições econômicas. Existem hoje inúmeras áreas pouco exploradas no direito e que sequer há especializações ou cursos a respeito. Aqueles profissionais que se dedicarem a estudar por si sós, já conseguirão uma bagagem capaz de diferencia-los no mercado. Quem aposta na segmentação, focando seus estudos e esforços para conhecer uma área específica, pode demorar uns meses ou talvez um ano ou dois para conseguir uma carteira que o dê condições de se manter, entretanto, ao alcançar esse status o profissional se destaca dos demais atingindo uma situação de estabilidade e segurança, enquanto que o profissional generalista seguirá nessa eterna batalha, para ganhar o cliente pelo menor preço. Advocacia é pautada em confiança. Recebemos honorários, palavra que possui em seu prefixo o termo honor, que vem de honra. Se todos os colegas se propusessem a cobrar o quanto seu serviço de fato vale e permitisse ao cliente que escolhesse aquele de sua maior confiança, quebrar-se-ia esse círculo de desvalorização do trabalho do advogado. É urgente mudar esse pensamento que só apequena nossa classe. Acreditar no seu potencial e investir nele com fervor é virar a chave, desligar-se de um ambiente que só amesquinha a todos, para criar uma realidade melhor e mais digna da imensa relevância que possui a advocacia para toda a sociedade. Se o próprio profissional não valorizar o seu trabalho, como esperar que o cliente o faça? Valorize-se. Invista em você. Construa o seu futuro. Adriana Cecilio Marco dos Santos, Advogada, Sócia Fundadora do Escritório Adriana Cecilio Advocacia, Especialista em Direito Constitucional Aplicado, Membro efetivo da Comissão da Mulher Advogada da OAB/SP, Membro da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos – ANPAC e da Associação Nacional dos Constitucionalistas da USP – Instituto Pimenta Bueno. Publicado no site Empório do Direito em 23/08/2015.

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