A PEC 33/2013
A Democracia Brasileira é extremamente
jovem, necessita de tempo para o amadurecimento de suas instituições. A PEC 33
ataca frontalmente o desejo do constituinte originário que estabeleceu em
cláusula pétrea a separação dos poderes e sistematicamente determinou que o
Supremo Tribunal Federal fosse o guardião da Lei Maior do país, sendo assim o
responsável por zelar para que nenhuma emenda à constituição tenha poder de
violar direitos fundamentais nela contidos.
O embuste demagógico da PEC está em
dizer que o povo deveria dar a última palavra, não os Ministros do STF em
relação ao que é ou não constitucional. Ardil para colher aqueles que acreditam
em contos de fadas. O fato é que o legislativo é preguiçoso e pouco trabalha
pelo povo, nenhuma proposta de emenda constitucional que interesse a população
foi vetada pelo Supremo, o que incomoda são os vetos a projetos políticos
questionáveis que em nada consideram os interesses dos cidadãos, mas sim, tão
somente a manutenção da força dos mesmos grupos políticos de antanho dentro do poder.
A população deveria, e muito,
participar mais das decisões políticas, tal fato é inegável, contudo, essa
participação precisa começar de forma paulatina, desenvolvendo o conceito de
cidadania, reforçando as instituições de base, trazendo a política para o
cotidiano do homem médio, não encurralá-lo diante de uma decisão
importantíssima para qual nunca foi preparado e que poderá afetá-lo de forma
que ele sequer imagina.
Digamos que o legislativo proponha
uma Emenda Constitucional dúbia que traga uma parte importante de absoluto
interesse da população, mas introduza in
fine, sorrateiramente, algo que justifique imensos desmandos
constitucionais. O Supremo por certo vetaria tal proposta. Bastaria então ao
Congresso convocar um plebiscito, utilizando todo o poder e dinheiro da máquina
pública para demonstrar a população que os Ministros incorreram em erro ao
vetar tal proposta. A população facilmente se deixaria levar pelo que pareceria
bom e valioso, não havendo meio de questionar parte da proposta, apenas
aprová-la ou reprová-la, incertos do que poderia ser potencialmente danoso, os cidadãos a aprovariam.
Como sair-se de tal pecha
posteriormente? Se da infame emenda aprovada inúmeras leis poderiam florescer e
atingir bens fundamentais, como o judiciário poderia agir para evitar
injustiças se essas restariam positivadas?
Estaríamos perenemente reféns de uma
decisão equivocada. A culpa seria do povo? É justo pensar que ele assim o escolheu?
Que ele deliberou sobre as possíveis consequências? Pura demagogia. Engodo. Tirania
disfarçada de democracia.
Desejo, pelo bem da democracia, que tal projeto não logre
êxito!
Olá Adriana!
ResponderExcluirOnde posso ler mais sobre essa PEC?? Estive pesquisando no site do Senado e não "existe". Onde vc conseguiu a informação? Com tanta falcatrua, estou pensando o pior.